O trabalho de Martha Niklaus opera nas zonas limítrofes dos encontros que se dão entre o individual e o coletivo; entre o real absoluto da experiência e as imagens que engendramos para fixá-las; entre a memória como arquivo e rastro de nossa humanidade e a possibilidade de um futuro utópico construído pela arte.

 

Combinando aspectos da arte conceitual, minimalista e experimental, incorporando a performance e vídeo-arte; trabalhando com materiais diretamente extraídos da natureza, do nosso cotidiano ou ainda com sucatas, esta obra não quer se restringir a uma escola, movimento ou tendência artística. Dentre algumas assemelha-se às produções iniciadas nos anos 60/70, como o Neoconcretismo aqui no Brasil e a arte Povera na Itália.


O seu modus operandi, a sua estratégia, é justamente esta – o embate, o ser ação, processo entre arte como experiência do cotidiano e arte como reflexão filosófica; entre o projeto construtivo e o fazer experimental; entre uma arte que se apresenta algumas vezes como pura matéria bruta e outras como obras desmaterializadas em traços ou registros; que abrange tanto o biográfico quanto o universal, que dialoga tanto com as fontes da história da arte erudita quanto com as fontes de nossa cultura popular.


(Paula Terra-Neale, texto (parte) catálogo exposição Histórias de Peixes, Iscas e Anzóis)