O trabalho de Martha Niklaus opera nas zonas limítrofes dos encontros que se dão entre o individual e o coletivo; entre o real absoluto da experiência e as imagens que engendramos para fixá-las; entre a memória como arquivo e rastro de nossa humanidade e a possibilidade de um futuro utópico construído pela arte.

 

Combinando aspectos da arte conceitual, minimalista e experimental, incorporando a performance e vídeo-arte; trabalhando com materiais diretamente extraídos da natureza, do nosso cotidiano ou ainda com sucatas, esta obra não quer se restringir a uma escola, movimento ou tendência artística. Dentre algumas assemelha-se às produções iniciadas nos anos 60/70, como o Neoconcretismo aqui no Brasil e a arte Povera na Itália.


O seu modus operandi, a sua estratégia, é justamente esta – o embate, o ser ação, processo entre arte como experiência do cotidiano e arte como reflexão filosófica; entre o projeto construtivo e o fazer experimental; entre uma arte que se apresenta algumas vezes como pura matéria bruta e outras como obras desmaterializadas em traços ou registros; que abrange tanto o biográfico quanto o universal, que dialoga tanto com as fontes da história da arte erudita quanto com as fontes de nossa cultura popular.


(Paula Terra-Neale, texto (parte) catálogo exposição Histórias de Peixes, Iscas e Anzóis)

Sobre sua carreira artística, Martha Niklaus faz palestra, no Atelie Pandemica, do Curso de Artes da UFF, em 2020. (início aos 47min) https://www.youtube.com/watch?v=lbsXz7NdbL0

 


Martha Niklaus nasceu no Rio de Janeiro e se formou em Licenciatura em Artes pela PUC-RJ, frequentou desde criança a oficina da artista e arte-educadora Maria Teresa Vieira e o ateliê do escultor José Cesar Branquinho. Nos anos 80, ingressou no Atelier de Escultura do Ingá, Niterói (RJ) e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ). Em 1995, reside em Nova York e faz estágios nos museus, The Metropolitan Museum of Art e The Museum of Modern Art. Criou e dirigiu, durante 10 anos (2003-2013), a Galeria do Lago - arte contemporânea, no Museu da República (RJ). Participa de projetos e exposições desde 1982, em museus e centros culturais no Brasil, como: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial, Museu da República, Centro Cultural Banco do Nordeste, FUNARTE, Galeria SESC Paulista, Museu da Vale do Rio Doce, Espaço Cultural Sergio Porto, Centro Cultural Candido Mendes, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Museu do Ingá, Museu da Maré, Museu de Arte de Santa Catarina, 7ª Bienal do Mercosul (Radio Visual), 29ª Bienal de São Paulo (Coleção Longe Daqui, Aqui Mesmo), V Bienal do Sertão e em diversos espaços alternativos. Apresentou obras em mostras coletivas em países como Inglaterra, Equador, Suíça, Bélgica, França, Espanha, Argentina e EUA. Recebeu diversos prêmios ao longo da carreira: Programa Redes Artes Visuais da Funarte (2015); 8º Programa de Bolsa RioArte – artes visuais (RJ,2002); Concurso de Esculturas para o Parque de La Memória - projeto finalista (Buenos Aires,1999); Prêmio IBEU Artes Plásticas (1997, RJ); Concurso Público para o Painel da Biblioteca de Manguinhos (1996, Fundação Oswaldo Cruz, RJ). Seus trabalhos fazem parte das seguintes coleções públicas: Essex Collection of Art from Latin America (UK), Instituto Brasil Estados Unidos (RJ), SESC Paulista (SP), Fundação Oswaldo Cruz (RJ), Arquivo Histórico Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo e Museu Histórico Nacional (RJ).