O trabalho de Martha Niklaus opera nas zonas limítrofes dos encontros que se dão entre o individual e o coletivo; entre o real absoluto da experiência e as imagens que engendramos para fixá-las; entre a memória como arquivo e rastro de nossa humanidade e a possibilidade de um futuro utópico construído pela arte.


Combinando aspectos da arte conceitual, minimalista e experimental, incorporando a performance e vídeo-arte; trabalhando com materiais diretamente extraídos da natureza, do nosso cotidiano ou ainda com sucatas, esta obra não quer se restringir a uma escola, movimento ou tendência artística. Dentre algumas assemelha-se às produções iniciadas nos anos 60/70, como o Neoconcretismo aqui no Brasil e a arte Povera na Itália.


O seu modus operandi, a sua estratégia, é justamente esta – o embate, o ser ação, processo entre arte como experiência do cotidiano e arte como reflexão filosófica; entre o projeto construtivo e o fazer experimental; entre uma arte que se apresenta algumas vezes como pura matéria bruta e outras como obras desmaterializadas em traços ou registros; que abrange tanto o biográfico quanto o universal, que dialoga tanto com as fontes da história da arte erudita quanto com as fontes de nossa cultura popular.

 

Formada em Licenciatura em Artes, pela PUC-RJ. Freqüentou o Atelier de Escultura do Ingá e a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Realizou estágios nos museus de Nova York, Metropolitan Museum of Art e Museum of Modern Art (MOMA). Realiza exposições desde 1982, sendo seus últimos trabalhos no Rio de Janeiro: Horizonte Negro, coreografia náutica na Baía de Guanabara (2015), Cabo de Guerra, performance no evento Maremoto na favela da Maré (2014), Livro, vídeo instalação no Museu da República (2013) e Choque de Cores, intervenção urbana na Praia de Ipanema (2011). Participa da 29ª Bienal de São Paulo no projeto de Marilá Dardot e Fábio Morais e da 7ª Bienal do Mercosul. Apresentou obras em mostras coletivas internacionais, na França, Inglaterra, Argentina, Espanha, Bélgica e EUA. Recebeu prêmios ao longo da carreira: Programa Redes Artes Visuais da Funarte (2015); 8º Programa de Bolsa RioArte – artes visuais (RJ,2002); Concurso de Esculturas para o Parque de La Memória - projeto finalista (Buenos Aires,1999); Prêmio IBEU Artes Plásticas (1997, RJ); Concurso Público para o Painel da Biblioteca de Manguinhos (1996, Fundação Oswaldo Cruz, RJ). Tem obras em coleções públicas, na Essex Collection of Art from Latin America, Inglaterra; no Instituto Brasil Estados Unidos, RJ; no SESC Paulista, SP e na Fundação Oswaldo Cruz, RJ. Criou e dirigiu vários vídeos em colaboração com editores de cinema, Bandeira de Farrapos (1993), Sombras (1998), Fogo (1999), Fôlego (2009), Choque de Cores (2011), Maremoto (2014), SIM (2014) e Horizonte Negro (2015).